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Entrevista com Cenógrafo Thomas Goebel

DNA Vortex Tribe 2004

DNA Vortex Tribe - 2004

*Entrevista publicada na Edição #4 da Revista SKoT em Dezembro de 2015.

Nosso entrevistado é o designer e cenógrafo brasileiro Thomas Goebel Praça que aterriza na SKoT para contar sobre a sua carreira de mais de 20 anos com cenografia.

DNA Vortex Tribe 2004

DNA Vortex Tribe – 2004

1.Você é uma das pessoas mais influentes na cenografia do Brasil e do mundo. Conte-nos um pouco sobre a sua carreira e o que te influenciou a trabalhar com este departamento tão amplo?

Eu digo que sempre fiz isso desde a infância, só que comecei a cobrar depois de um certo tempo… (risos) Eu sempre gostei de criar, desenhar, produzir, construir, explorer, etc. Meus primeiros empregos foram em estúdios de fotografia, aprendi muito sobre luz e cena, depois estudei alguns anos na Escola Panamericana de Artes e aos 17 anos achei que era hora de sair de casa e fui para a Europa. Lá eu conheci as raves, no ano de 1994 e nessas festas faziam algumas decorações rudimentares e percebi ali que existia um grande potencial de expansão criativa. Era uma oportunidade de mostrar algo visionário para um público extremamente aberto aos novos experimentos.

15m Domni - 2014

15m Domni – 2014

2.Nosso maior foco é a cenografia no Psy Trance. Para entendermos melhor a sua carreira, conte-nos quais são os mercados que você já atuou e ainda atua, e que tipos de cenografia você costuma aplicar?

Em 1995 fiz uma festa de música eletrônica logo quando retornei ao Brasil e durante aqueles dias produzindo a decoração para a festa eu pude realmente entender o potencial daquilo que estava se iniciando. Nos anos seguintes fomos produzindo outras festas próprias como a Daime Tribe, Caverna, Earthdance, Celebra Brasil, Trancoso, Klatu. Minha participação sempre estava ligada a construção estrutural e cenografia. Mais tarde fui responsável pela cenografia da Tribe, Kaballah, XXXperience, Boom Festival (Portugal), Mysteryland (Holanda), Tomorrowland Brasil, etc. Já trabalhei dentro da cena eletrônica alternativa, mercado corporativo, grandes festivais europeus e brasileiros. Minhas cenografias geralmente são todas integradas tentando criar uma imersão sensorial, mas às vezes são grandes palcos ou tendas coloridas gigantes. Trabalho muito com tecidos, madeira, tintas especiais e isopor, desenvolvendo o projeto no papel, depois no computador e finalmente construindo tudo.

70m Tent Boom Festival - 2006

70m Tent Boom Festival – 2006

3.Dentro da cenografia voltada ao mercado do PsyTrance, nós queremos entender qual é o trabalho de decoração que você mais gosta, o que você acha das cenografias atuais, e que tipo de inovação o atual mercado precisa?

Meu tipo de projeto favorito são as estruturas como palcos e tendas, de preferência integrados criando um diálogo coerente. Também prezo muito os detalhes do acabamento e harmonia do todo, para que o projeto possa realmente ser considerado um cenário e não uma simples decoração feita de objetos espalhados pelo ambiente. Sinto que as cenografias da atualidade estão evoluindo e buscando o aperfeiçoamento, vejo muita coisa boa acontecendo, mas ainda existem casos onde o caos artístico e a falta de qualidade devido ao baixo investimento ainda prevalece. Outro fator importante é a identidade própria dos artistas, que precisam amadurecer nesse quesito e entender que existe uma grande diferença entre buscar referências e copiar trabalhos de outros artistas. No Brasil isso pode ate parecer normal, mas no resto do mundo isso é visto como algo extremamente anti ético.

90m Tent Tribe - 2006

90m Tent Tribe – 2006

4.Nossa maior preocupação é a segurança no trabalho. O que você pode passar para o nosso leitor e cenógrafo, do que ele pode e não pode fazer em uma cenografia de pequena, média e grande escala.

Relativo a segurança eu poderia descrever páginas inteiras, mas vou resumir em alguns quesitos básicos. A segurança da equipe é o primeiro fator a se observar numa produção. É fundamental ter uma equipe experiente, com certificados, equipamentos de segurança como botas, luvas, óculos e cintos para trabalhos em altura. Além disso, a equipe precisa estar se alimentando corretamente e em boas condições de hospedagem, para poder descansar e trabalhar sem o risco de acidentes. Materiais de qualidade que resistem aos esforços que serão submetidos também são fundamentais! Não podemos arriscar uma falha em um local com milhares de pessoas, tudo deve ser calculado e bem construído. Por baixo da beleza do cenário, existem estruturas que foram estudadas e calculadas para sustentar aquele revestimento artístico. É uma mistura de engenharia e arte.

Mysteryland Holland - 2012

Mysteryland Holland – 2012

5.Qual é a sua visão sobre a importância da cenografia nos eventos e qual a sua visão para o futuro da cenografia dentro da cena eletrônica?

A minha visão sobre a importância da cenografia sempre foi a mesma, a de que assim como uma boa infra estrutura e boa musica, os eventos devem apresentar um cenário de qualidade, envolvente, mágico e transformador, para completar nossa experiência sensorial. O maior exemplo de sucesso de investimento em cenografia esta aí para comprovar isso, o Tomorrowland. Eles acreditaram nessa vertente e se destacaram da fórmula simples de “DJs + Sound System”. No futuro os eventos que quiserem sobreviver terão de se adaptar e essa tendência cada vez maior de terem uma cenografia impactante e original, com a cara do seu evento. As empresas de cenografia que quiserem crescer terão de se especializar e se profissionalizar a cada dia, pois o mercado exige essa postura séria que vai além da criatividade.

Stage Tribe 2012

Stage Tribe – 2012

Entrevistador : Stephen Federolf (fb.com/deutschdj)

Entrevistado : Thomas Goebel (fb.com/thomas.praca)

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