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Fui numa festa e nunca mais voltei!

rave fui numa festa e nunca mais voltei

Foto por Bianca Meireles

Depois de algumas edições ausente, volto pra mais um texto… nesta edição farei um breve apanhado sobre minha imersão no vasto mundo da psicodelia.

É bem isso que você identificou no título, literalmente, fui numa festa e nunca mais voltei!

Era início dos anos 2000 e eu no auge da minha adolescência, cheio de sonhos, muitas revoluções por fazer, munido de diversas rebeldias sem causa (algumas espinhas) e, como todo bom adolescente, não sabia por onde começar.

rave fui numa festa e nunca mais voltei

Foto por Bianca Meireles

Sempre morei no interior de Santa Catarina e aqui nunca tivemos uma base sólida de diversão. Nossas opções eram limitadas e meu gosto musical passava longe das batidas eletrônicas.

Certo dia, alguns amigos que já tinham sido ‘mordidos pelo bichinho’ me apresentaram o psytrance e, pra variar, achei aquilo uma loucura… a musica não fazia sentido pra mim e eu jamais fingiria que gostei de algo só pra agradar a massa.

Pois bem, passadas algumas semanas, numa síncope de rebeldia, entramos num carro e rumamos ao norte do estado, local onde rolaria uma ‘festa estranha’. Chegando lá, caíram por terra todos os pré-conceitos que eu tinha. Vi muita gente feliz, fiz muitas amizades, nos divertimos por horas, expandi minha mente e o principal: o bixinho do trance me mordeu e entrou em minha vida de uma forma que nenhuma outra coisa jamais tinha alcançado tamanho efeito.

Como sempre fui curioso e minha veia musical sempre me cativou, foi uma questão de tempo até me interessar de forma mais profunda sobre a dinâmica musical, as tendências daquele estilo e, por consequência, entrar de cabeça na arte da discotecagem.

Fui numa festa e nunca mais voltei!

Agora fazendo um hiato no texto, importante salientar que eu nunca me deslumbrei ao ponto de me achar espiritualmente elevado e acatar o estilo de vida trancer como um dogma… o trance foi importante na minha vida como forma de auto evolução, mas não ao ponto se tornar minha vida por completo (sim, existe vida fora do psytrance!).

Ocorre que numa imersão de autocrítica, comecei a perceber que tudo isso me mudou. Passei a ver o mundo de uma outra forma, mais colorida, menos estressada. Aquela minha rebeldia já não era a mesma.

Hoje faço parte de um coletivo que movimenta a ‘cena’ local (se é que isso existe) e, indiretamente, acredito que contribuo de alguma forma para o fomento da arte psicodélica.

O destino do ser humano é a evolução. Tudo evolui; não existe um momento igual a outro: a cada instante as pessoas mudam e muda o contexto. Todo o universo está em constante evolução e comigo não foi diferente.

Hoje percebo que a maioria das pessoas que conhece esse universo, passa por esta transformação. Os fatos são diferentes mas a dinâmica é a mesma, pra todos.

Descobri que aquele meu antigo eu ficou por lá e pra cá veio uma nova pessoa, que continua nessa jornada de loucura sem cura que é o trance!

“As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se podem ver nem tocar. Elas devem ser sentidas com o coração.”

Texto por : Marcos Vinicius aka Vasho (fb.com/matos.mv)

Marcos Vinicius

Marcos Vinicius de Matos é advogado, dj, produtor de eventos, radicado no sul de Santa Catarina, apaixonado pela cultura psicodélica, entusiasta do movimento underground e eterno curioso.

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