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Nascimento da Associação Psicodélica: um parto ativo

associacao cultura psicodelica

Em mais um ano o famoso Maio Verde tomou as ruas do Brasil. Mais de trinta Marchas da Maconha explanaram o verde da esperança. Via-se um brilho nos olhos: nossa política sobre substâncias psicoativas há de mudar! E foi neste espírito que, na Marcha da Maconha do Rio de Janeiro, pelo segundo ano consecutivo, a Ala Psicodélica esteve presente. Presentes, manifestando de corpo e alma. Como diz a origem etimológica de psicodélico: manifestação da alma.

Distribuímos 100 cartazes que demandavam a legalização do LSD, do MDMA e da Salvia divinorum. Você já deve ter visto alguns destes cartazes pelos festivais do Brasil. E foi exatamente desta forma que a Ala Psicodélica brindou a liberdade: fomentando a expansão da consciência coletiva, na busca de que ampliemos a demanda pela legalização da cannabis e passemos a defender a legalização de todos os psicodélicos. Enquanto se luta pela legalização somente da maconha, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasileira (ANVISA) proíbe dezenas de substâncias psicodélicas.

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Em 2012 foram proibidas a planta Salvia divinorum e seu princípio ativo, a salvinorina A, além do LSA (Argyréia nervosa, Ipomoea tricolor, Rivea corymbosa, etc). Em 2014 foi a vez da ANVISA proibir 11 substâncias dos 25x-NBOMe, a metilona e 7 fenetilaminas psicodélicas. Não há pesquisas no Brasil que indiquem o número de usuários de nenhuma destas substâncias, tampouco pesquisas que evidenciem riscos ou danos. Diversas pesquisas mostram o contrário, isto é, que substâncias psicodélicas como LSD, mescalina e psilocibina não deterioram a saúde mental. Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, Teri Krebs e Pal-Orjan Johansen1, analisaram dados da pesquisa nacional dos EUA sobre saúde e drogas, que indicam que usuários destes psicodélicos possuem menores taxas de problemas ligados à saúde mental que a população em geral.

Membros da Associação com o Dartiu no Caleidoscópio dos Psicodélicos na Unicamp - Novembro de 2016

Membros da Associação

No 1º Seminário Internacional sobre a Maconha, realizado pela Fiocruz, perguntei ao presidente da ANVISA, o economista Ivo Bucaresky, o motivo destas proibições. Bucaresky afirmou que, se a Policia Federal informa a ocorrência do uso de uma substância psicoativa não proscrita, a ANVISA a proíbe, sem a devida pesquisa! Mas para regulamentar o inofensivo CBD eles querem anos de provas e evidências. Estão viajando! Bad trip pesada!
Agora vocês me dizem: isso é aceitável? Não é esse o nosso entendimento. Parte dos integrantes da Ala Psicodélica, que organizaram o 1º Seminário sobre Psicodélicos do Rio de Janeiro no ISERJ2, vêm tornar público que este trabalho gerou uma criança, nascida de parto ativo: trata-se da Associação Psicodélica. Pelo mundo proliferam-se Sociedades e Associações em prol dos diversos usos dos psicodélicos, como o MAPS Canadá, MAPS EUA, a Sociedade Psicodélica na Inglaterra. Mais recente é a onda que surfamos: é preciso não só regulamentar tais usos, mas defender a plena legalização dos psicodélicos. É preciso lembrar que há hoje inúmeros estudos afirmando e reafirmando os benefícios associados a esses usos e não é possível continuar aceitando esse estado alterado de obscurantismo moral/cognitivo. Esse parto ativo nos trouxe a luz! E assim defendemos:

  • A descriminalização de todas as drogas pelo Supremo Tribunal Federal e a regulamentação, para diversas modalidades de uso (terapêutico, religioso, recreativo, artístico, etc), das substâncias psicodélicas;
  • O incentivo a ações e organizações de coletivos de redução de danos como os projetos RESPIRE, Balance e Balanceará. Visto que hoje usuários de psicodélicos sintéticos ou semissintéticos se expõem a grandes riscos por não saberem o que estão utilizando. Precisamos é de mais kits de testagem das substâncias e menos hipocrisia!

Em festivais como o Boom Festival em Portugal há projetos de redução de danos que realizam testagens durante o evento, nesse sentido enquanto o STF não julga³ a inconstitucional o art. 28 da lei 11.343, atual lei de Drogas brasileira, não é possível ter esse tipo de atuação no Brasil visto que os coletivos de redução de danos e os usuários são criminalizados.

1 – Krebs TS, Johansen P-Ø (2013) Psychedelics and Mental Health: A Population Study. PLoS ONE 8(8): e63972. doi:10.1371/journal.pone.0063972
2 – ISERJ – Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro.
3 – O julgamento do art 28 está em andamento através do Recurso Extraordinário 635.659 no Supremo Tribunal Federal.

Links:
Associação Psicodélica do Brasil
www.associacaopsicodelica.org/
Sociedade Psicodélica – Inglaterra
www.psychedelicsociety.org.uk/
Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies – Canada
www.mapscanada.org/
Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies – Eua
www.maps.org/

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